quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

um exercício.

é como desenhar pontos sobre uma folha quadriculada. se você quiser eu te ajudo, firmo a mão sobre a tua e desenhamos. onde era pra ter uma lei, e de repente não tem. e tem. e como tem. são essas esquinas, elas me extorquem a atenção. pouco me importam os brancos, aí no meio. quem fez isso já fez de caso pensado. as esquinas? não, as linhas. as esquinas fui eu quem as quis, me aparecem uma a uma, nunca de outro jeito. abro um campo com os olhos, uma me detém. pouco depois uma outra, e o campo já não é mais o mesmo. e ai eu vejo uma dobra. corro com o olhar, como se ela pudesse fugir de mim num galope só. faço com que ela se renda a mim com um traço de lápis, enterro-a sete riscos abaixo das minhas esquinas. mas nelas quem repousa são os dedos, breves, nada eternos. é quando eu enterro que eu reafirmo, na verdade. e quando não me parece suficiente, marco com um furo. ninguém questiona: não existe registro mais contundente, não há nada que negue o caminho chegado até aqui. seria indelével se não fosse deliciosamente corruptível. há de percorrer outros caminhos esse meu até se dissolver no solo, ou até que outro me intercepte e, com todo o desfrute, pinte a folha seguinte e suponha ter encontrado apenas um rabisco de ligação telefônica. pouco importa quem me liga ou o que diga. vale mais saber que uma esquina é um repouso que se encontra senão no corpo de um outro.

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